Monitorar os visitantes no site profissional parece, à primeira vista, ser sobre os benefícios para o profissional. Mas se nossa intenção é respeitar o usuário, vale uma reflexão mais profunda. Não se trata só de medir visitas, mas de decidir que tipo de experiência estamos criando para nossos usuários. Isso porque a profissional da psicologia é, acima de tudo, uma profissional que leva a privacidade do usuário e a ética a sério, não é mesmo?
É inevitável: o crescimento da sua presença digital profissional irá lhe trazer mais conhecimentos sobre o mercado e sobre seu público. Considere, por exemplo, uma profissional psicóloga que recebe mais e mais pessoas no site. Ela percebe, porque mais pessoas fazem contato. Decorre disso que, com naturalidade, ela se envolve na reflexão sobre questões estatísticas: Quem são meus usuários? De onde eles vêm?
É também natural que iremos encontrar ferramentas, como o Google Analytics, que nos ajudam com dados estatísticos sobre essas visistas. Neste artigo, faremos uma reflexão consciente levando em consideração questões sobre monitorar o usuário. Em outras palavras, caso seu interesse for sobre os benefícios de monitorar o usuário, este é o artigo errado.
Desta forma, vamos contextualizar esse tema importante com a dúvida: O usuário é impactado ao colocar ferramentas de monitoramento no meu site profissional? Existe alguma questão ética relevante? Exemplo, se eu uma ferramenta de monitoramento, é obrigatório exibir aquela janelinha de consentimento sobre captura de dados do usuário?
Nas seções a seguir, vamos elaborar esse tema por meio de três frentes de cuidado: refletir sobre a questão do respeito a privacidade, refletir sobre a experiência (na hora da visita) que impomos ao usuário, por exemplo se é relevante ao usuário ser interrompido com a tela de consentimento, e até questões relacionadas com a performance da página (fica mais lenta a página?).
Privacidade e base legal
Muita gente enxerga ferramentas de monitoramento de usuário apenas como ferramentas de estatística. Mas a verdade é que muitas dessas ferramentas fazem coleta de dados de navegação. Mas o que é isso? Sendo direto, muitos que as utilizam querem saber quem são as pessoas. Por conta disso, devemos refletir sobre a questão da base legal.
No Brasil, a Lei Geral de Proteção de Dados (LGPD) surgiu justamente para regular o uso e o tratamento de dados pessoais, trazendo mais transparência e controle para o usuário.
Dentro desse contexto, a experiência da janela de consentimento de cookies passou a ser adotada como uma forma de informar e permitir que o usuário decida sobre a coleta de seus dados.

Tela e consentimento
Se a proposta é construir uma presença profissional mais organizada e respeitosa, o aviso de consentimento precisa ser visto também como parte da experiência da tela. Ele aparece como uma interrupção no caminho do visitante, pede uma decisão e adiciona mais uma camada de interface logo no início da navegação.
Esse ponto importa porque a janela de cookies, embora muitas vezes necessária, não deixa de ser um elemento extra. Ela compete por atenção, atrasa o contato com o conteúdo principal e mostra que ferramentas de monitoramento têm um custo não só jurídico, mas também de experiência do usuário.
Nosso ponto não é fingir que a janela não incomoda. É sobre reconhecer que ela existe, o porquê existe e o que significa para a experiência toda e todos envolvidos.
Performance da página
Há ainda um terceiro ponto também importante: performance. Essas "coisas", como os scripts, plugins, banners etc. são camadas adicionais que aumentam a "carga de trabalho" para carregar uma página. Mesmo quando o impacto parece pequeno, talvez porque os dispositivos são cada vez mais rápidos para carregar conteúdo, ainda assim tudo soma ao restante dos recursos usados no site.
Sem esse tipo de elemento, as páginas tendem a ficar mais leves, diretas e rápidas. Em um site profissional, isso importa porque a velocidade não só comunica cuidado, como foco e respeito; a experiência de carregamento impacta também a saúde do site e, digamos assim, o score que ele tem diante dos mecanismos de busca, como o Google. Em outras palavras, a saúde da página, em termos de performance e acessibilidade, é, sim, uma métrica que coloca um site à frente de outro nos resultados das buscas.

