Marcio S Galli
Como o site na bio ajuda com uma condução assertiva de vendas

Ela conquista cada dia mais seguidores nas redes sociais, em seu Instagram profissional. Do lado de fora, tudo lindo, muita produção, muito esforço. Mas do outro lado tem um problema. Ela está decepcionada - mesmo que com mais e mais pessoas - mais seguidores. Ela está frustrada porque não tem muita coisa acontecendo. É uma dissonância entre o esperado e o real.

Neste artigo, vamos abordar essa complicação: reconheceremos que nem sempre a busca obcecada para conquistar seguidores resolve o processo de condução, por exemplo para a decisão, comprar ou contratar.

Vamos considerar o processo de ponta a ponta, começando reconhecendo que sim existe um investimento nas redes sociais no sentido de chamar atenção, mas reconheceremos que isso é apenas um aspecto do mapa de navegação deste usuário cliente. Abaixo, criei duas ilustrações - o psicólogo de 600 seguidores e a banda Senhor X - como uma oportunidade para refletirmos sobre a necessidade de uma condução.

A psicóloga de 600 seguidores

Imagine uma profissional, psicóloga que investe - toda semana - na produção de conteúdo na sua rede social favorita. Ela poderia ter escrito um pequeno livro no último ano. Mas preferiu desta forma por ser algo mais dinâmico, por ser mais leve, por conta que pode produzir a cada semana enquanto vai conquistando mais seguidores. Ainda, ela faz assim porque, agora, o "Insta" é o agora, é a praça onde tudo acontece.

Porém ela vive, semana a semana, uma outra complicação: para essa profissional o problema é que nada está acontecendo. Então vem a dúvida "por que que as pessoas não decidem me contratar?" Inclusive, geralmente, ela se volta para a questão do conteúdo com "Como eu poderia informar melhor as pessoas sobre o que eu faço?" ou "Será que devo criar um outro tipo de conteúdo?"

Para elaborarmos a complicação, peço uma pausa para vivenciarmos o lado da audiência, do visitante-seguidor. Vamos imaginar um cenário otimista, onde um certo seguidor está sim, de certa forma, em seu momento interessado. Digamos que esse usuário diz “Nossa, será que ela atende idosos?” Passa pela cabeça desse usuário essa ideia, essa visualização, tipo "sim, talvez ela seja a profissional ideal para ajudar a minha mãe".

Então, é lógico, ela e você e eu podemos e devemos reconhecer o básico, que esse usuário tem para onde ir, não é mesmo? Pois, sabemos, que lá em cima existe um canal para o contato. Que esse usuário pode sim enviar uma mensagem direta, ou até visitar o "link na bio" que leva direto para o Whatsapp. Justificamos assim, muitas vezes, pela lei do menos é mais, ou do mais simples, mais objetivo, mais direto. Então, sabemos, que basta o usuário subir lá e entrar em contato. E então, problema resolvido porque - falamos assim - se o usuário tiver realmente interessado em fazer terapia, se está sério, ele irá fazer o contato.

Porém, por outro lado, devemos nos voltar para um outro problema. A questão é que estamos assumindo que o processo de busca daquela pessoa acabou ali, que o usuário já está em seu momento de decisão. E sim, sempre terá alguém assim, um X de pessoas por dia que irão decidir caso você tenha Y seguidores. Mas infelizmente essa visão, uma verdade estatística, nos leva a ignorar um outro X que pode ser muito grande:

Imagine, por outro lado, que aquele usuário ainda está fazendo uma busca. Seja para ela ou para alguém que ela se preocupa, talvez queira maiores informações. E ainda, talvez não quer fazer aquele contato direto. E ainda, ela não quer ficar procurando respostas dentro de vídeos e vídeos. Em outras palavras, aqui, não estamos negando o fato de que uma pessoa com uma dor muito grande, que está certa de que aquele é o profissional correto, irá fazer o contato. Estamos considerando, por outro lado, que muitas pessoas (e podem ser muitas mesmo) vivem seus momentos de busca. Elas podem querer mais informações. E sim, vivem também a realidade (de qualquer comprador) que envolve não querer fazer aquele contato direto. Aquele contato direto, digamos assim, com um vendedor.

A Banda MrX de 6K seguidores

Pense em uma banda que conquistou a marca de 6000 seguidores, a banda Mr.X, de Ribeirão Preto. Eles tocam Guns & Roses no Soft Rock que é um dos bares mais badalados. São obcecados por seguidores, sim. Vivem os dias de Insta, sim. E ba bio, o que eles tem? Direto e objetivo, eles colocaram o link para contato, via Whatsapp, do CEO que por sinal é o baixista da banda. Ainda, ele é vendedor, se diz dos bons, pois ao mesmo tempo trabalha em uma imobiliária da cidade, com marketing e vendas. Como banda, podemos dizer que estão bombando. Ja há 4 anos, geralmente tocando no Soft Rock, estão batucando grande no Insta, como podemos ver com aqueles 6000 seguidores. E sempre tiram fotos com a galera, até aí tudo bem.

Então vamos partir para a complicação com a narrativa do Tales. Tales está passando uma temporada em Ribeirão Preto. Ele foi de pickup para o Soft Rock. Com a garrafa de vodka na mesa, está feliz porque é de Ribeirão, e está feliz porque ama Guns N' Roses, e porque acabou de descobrir que é a melhor banda de Guns N' Roses da região. E agora ele teve uma idéia que foi brilhante! Foi assim: "Nossa, será que eles tocam em casamentos?"

E veio assim porque ele sabe que seu primo em breve irá casar e que seu primo ainda não definiu a banda. Então Tales decidiu simplesmente seguir a banda. O que ele quer mesmo era contar para seu primo. Então a festa foi e agora ele está trabalhando, novo dia, mas meio consciente ou inconsciente ele pensou bem rápido sobre a noite, como foi tudo tão legal e foi direto para o Insta da banda. E ele viu lá em cima o contato, o contato do WhatsApp, e a indicação de que bastava entrar para agendar shows. Então é isso, problema resolvido, missão cumprida, achei.

Mas é isso também, nada aconteceu. A questão é que, na vida real, o que acontece é mais ou menos assim. Ele olhou para aquela bio, viu aquele contato para o dono da banda, e talvez seu inconsciente até pensou: "Ah, sim! Se eu fosse casar e quisesse a banda, teria que entrar em contato." Mas ele não iria fazer esse contato. Mas é lógico que existem duas outras opções:

  • Simplesmente avisar o seu primo
  • Deixar de lado

Quanto ao segundo caso, poderia acontecer porque ele não sentiu uma grande confirmação. Porque o momento ainda é de uma busca, uma certa checagem. Então, se ele não está tão assertivo, talvez ele não daria a recomendação para seu primo. E considerando o primeiro caso, temos que lembrar que mesmo que ele enviasse para seu primo, pode ser que do lado do primo também não houvesse confiança suficiente para que seu primo entrasse em contato direto com a banda para perguntar se eles fazem para casamento.

Gostaria de concluir neste momento. Gostaria que refletíssemos sobre o investimento da banda. Bom, eles já estão há quatro anos com aquelas tantas fotos e aquelas batucadas no Insta, muita coisa acontecendo! E tem muita gente que ama eles mesmo. E tem essas pessoas que poderiam recomendar. Mas a grande realidade é que a recomendação vem a partir de uma sensação de incerteza. Então, quero fechar esse artigo concluindo que se aquela banda tivesse um link na bio, com o menu, um site simples e talvez um botão, "contrate para casamento com fotos e galerias dos últimos casamentos", o usuário talvez saberia muito bem se é adequada a recomendação. O momento de recomendação seria mais confiante, e o que temos nesse processo é uma oportunidade de refletir sobre a condução.